Sempre comprei revista em quadrinhos de diversos personagens, apesar de não ter tanta variedade assim no tempo do jornaleiro da esquina, mas a maioria dos super-heróis não tinha revista própria e entravam com uma história secundária na HQ de algum personagem mais famoso. Não comprava muita HQ da Mulher-Maravilha, apesar da personagem ter uma revista própria lançada pela Editora Ebal, e acabava lendo histórias dessa heroína junto com a de outros heróis dos quadrinhos.

A Mulher-Maravilha fez 80 anos esse mês e já tem bastante tempo que essa super-heroína virou um ícone dos quadrinhos. A personagem foi criada pelo psicólogo e advogado William Moulton Marston, formado em Harvard e a sua primeira aparição foi em 1941, na revista All Star Comics #8, na qual ela atuou como secretária da Sociedade da Justiça da América, uma equipe precursora da Liga da Justiça da América.

A Mulher Maravilha não foi a primeira super-heroína dos quadrinhos, antes dela tivemos a Viúva Negra da Marvel e a Bulletgirl da DC, mas ela foi a primeira super-heroína criada à partir de uma perspectiva claramente feminista, apesar de surgir como secretária do Flash e do Lanterna Verde na Sociedade da Justiça da América.

Em uma entrevista para a revista Family Circle em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, Marston disse porque resolveu criar um novo tipo de ícone feminino para os quadrinhos: “Há uma grande esperança para este mundo. As mulheres vão vencer! Quando as mulheres governarem, não haverá mais (guerra) porque as meninas não vão querer perder tempo matando homens e considero isso como o maior não e também como a única esperança de uma paz permanente.” Apesar de ser criada com um perfil aparentemente feminista, a Mulher-Maravilha foi desenvolvida pela visão de um homem e muitas feministas criticam isso até hoje. Por mais que a Mulher-Maravilha, de alguma forma, represente a força feminina, o caminho feminino para o poder não pode ser conquistado com uma ação solitária, ele precisa ser coletivo.

Na época, as mulheres americanas estavam atuando como força de trabalho, enquanto os homens lutavam na Europa, o que gerou um movimento pelos direitos femininos. A Mulher-Maravilha evoluiu durante esses anos de guerra, sobreviveu ao macarthismo e ao movimento anti-quadrinhos do início da década de 50 e emergiu na década de 1960 como membro fundador da Liga da Justiça da América. Só que em meados da década de 1960 a personagem sofreu uma transformação inesperada e totalmente impopular.

A DC Comics resolveu criar um novo enredo para a Mulher-Maravilha, buscando uma nova tentativa de abraçar um conceito mais feminista, onde ela perdia os seus poderes e se tornava uma espécie de Emma Peel, da série Avengers, personagem da televisão britânica. Nessa HQ a Mulher-Maravilha era treinada em artes marciais e andava com roupas da moda, além de lutar contra os inimigos. Mas em vez de ter superpoderes, ela era apenas uma mulher normal, defendendo os direitos femininos. Por causa disso as vendas despencaram e a DC correu de volta para o uniforme vermelho, branco e azul.

Além da queda nas vendas de quadrinhos baseados na Mulher-Maravilha, havia outro motivo pelo qual a DC devolveu os poderes à personagem. Um editor da DC Comics recebeu um telefonema da ícone feminista Gloria Steinem, cobrando a volta dessa heroína poderosa.

Steinem ligou para a DC Comics para conversar com o editor e perguntou o que eles estavam fazendo e disse: “Devolvam a fantasia dela, rapazes. Devolvam seus poderes. Ela tem poder e vocês estão tirando-o.” Foi por causa dessa visão feminista que a Mulher-Maravilha voltou a vestir o seu uniforme de amazona.

Apesar de ser uma personagem com 80 anos a Mulher-Maravilha só foi desenhada por uma mulher em 1986, quando Trina Robbins desenhou e co-escreveu a minissérie Legend of Wonder Woman. É por isso que muitas mulheres continuam a dizer: queremos ver um filme ou uma HQ sobre uma mulher que possa chutar a bunda de algum vilão, sem ter nada para provar à alguém e que essa heroína faça isso somente para impressionar a si mesma.

Artigo: Hugo Machado

Veja abaixo a evolução da Mulher-Maravilha durante esses 80 anos.

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