As Histórias em Quadrinhos não estariam onde estão hoje, se não fosse por Stan Lee. Junto com outros grandes criadores de quadrinhos, como Jack Kirby, Stan Lee deu início a uma nova fase dos heróis e vilões que apareciam nas revistas. E sempre fez isso com muita alegria e humanidade.

É só olharmos para personagens como o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e os X-Men, para percebermos que as histórias de Stan Lee não falavam apenas de seres super poderosos. Mas do que isso, seus personagens eram bem humanos e tinham os mesmos problemas de quem lia as revistas. Diferente de outros heróis e vilões que foram criados, vários personagens de Stan Lee não nasciam com os seus super poderes. Suas criações mostravam pessoas comuns, colocadas em situações extraordinárias e por isso os seus personagens não eram diferentes das pessoas que liam essas HQs.

Stan Lee foi inteligente e entendeu um ponto simples. Muitos dos melhores momentos do mundo aconteceram por acaso e os seus personagens também surgiram assim. Peter Parker foi mordido por uma aranha radioativa, o Quarteto Fantástico foi bombardeado com radiação cósmica e o gene X causou a mutação genética nos X-Men.

Por causa desse perfil humano, e não pelos seus poderes, os personagens de Lee resistiram ao teste do tempo e estão aí até hoje. Seus personagens são facilmente identificáveis e eram pessoas normais, com problemas normais e que salvavam o mundo enquanto enfrentavam os obstáculos que a vida fornecia. O Homem-Aranha tinha os mesmos problemas que um adolescente comum, o Quarteto Fantástico tinha vários problemas familiares e os X-Men enfrentaram os mesmos problemas que ainda encaramos hoje em dia: racismo, discriminação, intolerância.

O mais interessante, é que Stan Lee alcançou o seu sucesso criando uma ponte entre o público que lia os seus quadrinhos e os criadores dessas revistas. O Grande Lee popularizou a noção de que os leitores podiam conversar abertamente com os criadores, criando a famosa coluna Stan’s Soapbox. Esse nome surgiu porque subir em uma Soap Box (Caixa de Sabão) para dar um discurso, se tornou um símbolo de democracia na época. 

O Stan’s Soapbox era uma maneira dele mesmo dizer o que precisava ser dito aos leitores e eles sentiam que estavam falando diretamente com o criador do Homem-Aranha. Em essência, o Soapbox de Stan Lee era o Twitter, bem antes dele existir.

Durante o movimento dos direitos civis, o editor-chefe da Marvel, Stan Lee, defendeu as virtudes da diversidade e tolerância, nas páginas dos quadrinhos que a Marvel publicava. Logo após um ato violento, que foi iniciado por nacionalistas brancos, na Virgínia, Lee resolveu criar essa coluna. Seus textos, de meio século atrás, continuam a dar esperança quando passamos por esses momentos sombrios.

De 1965 a 2001, Lee publicou essa coluna chamada Stan’s Soapbox ,em uma caixa amarela inconfundível, que era inclusa na parte de trás de cada revista em quadrinhos da Marvel. Esse pequeno espaço apresentava cartas de leitores, que Lee respondia com as suas próprias palavras. Ele quase sempre falava sobre os confrontos épicos entre os seus personagens, mas também utilizava sua Soapbox como uma força para o bem. Embora não seja difícil ver algum centrismo político nessa coluna de Lee, ele só encorajava os leitores a não serem fanáticos e estúpidos.

O Stan’s Soapbox era a maneira que Stan Lee encontrou para falar sobre as coisas que precisavam ser ditas. Como na HQ X-Men # 56, de 1969, onde Stan Lee explicou algo que todos nós sabemos: o amor é maior do que o ódio.

“Tenho tentado, à nossa maneira desajeitada, ilustrar que o amor é uma força muito maior, um poder muito maior do que o ódio. Agora, não queremos dizer que você deve andar por aí como uma Pollyanna fazendo piruetas, jogando ramalhetes em todos que passam, mas queremos deixar isso claro. Vamos considerar três homens: Buda, Cristo e Moisés, todos da paz, cujos pensamentos e ações influenciaram incontáveis ​​milhões de pessoas ao longo dos tempos e cuja presença ainda é sentida em todos os cantos da terra. Buda, Cristo e Moisés, são homens de boa vontade, homens de tolerância e especialmente homens de amor. Agora, considere os praticantes do ódio que mancharam as páginas da história. Quem ainda venera suas palavras? Onde a homenagem ainda é prestada à sua memória? Que bandeiras ainda são levantadas em sua causa? O poder do amor e o poder do ódio. O que é mais verdadeiramente duradouro? Quando você tende a se desesperar, deixe essa resposta sustentá-lo.”

Em outra Stan’s Soapbox Lee fala que todos precisam ter opinião e que os quadrinhos não são diferentes e responde a um leitor que disse que ele deveria se preocupar apenas com as Histórias dos personagens.

“Mas de alguma forma, não consigo ver dessa maneira. Parece-me que uma história sem mensagem, por mais subliminar que seja, é como um homem sem alma. Na verdade, até mesmo a literatura mais escapista de todas, os contos de fadas dos velhos tempos e lendas heróicas, continha pontos de vista morais e filosóficos.
Em todos os campus universitários onde passei, há tanta discussão sobre guerra e paz, direitos civis e a chamada rebelião juvenil, quanto há em nossas revistas da Marvel.
Nenhum de nós vive no vácuo e nenhum de nós é intocado pelos eventos cotidianos, que moldam nossas histórias, assim como moldam nossas vidas.
Claro que nossos contos podem ser chamados de escapistas, mas só porque algo é uma diversão, não significa que temos que desligar os nossos cérebros enquanto o lemos! Excelsior!”

Stan Lee não falou apenas sobre o o ódio em sua coluna, ele discutiu racismo, intolerância, mensagens ocultas nas suas revistas e muito mais. Stan Lee não tinha medo de falar o que pensava e o Stan’s Soapbox foi uma plataforma criada para discutir essas coisas, sobre as quais a maioria tinha e ainda tem medo de falar.

Você pode até perguntar: por que um criador de quadrinhos usaria a revista do Homem-Aranha para falar sobre tópicos não relacionados ao personagem?

É Simples. Porque Stan Lee acreditava em um mundo melhor.

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