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Em março de 2020 uma pandemia alterou drasticamente a vida de várias crianças pelo mundo e até a interação presencial das escolas foi substituída pelo EAD.

A vida social das crianças passou a ser totalmente digital e, lógico, o video game foi o principal companheiro de todas elas. Não demorou muito para jornais, como o The New York Times, publicarem artigo sobre os riscos do uso de dispositivos eletrônicos por adolescentes e crianças durante a pandemia e, quase todos eles, culpavam os pais. Na reportagem do New York Times eles publicaram umas fotos piegas de uma família arruinada por um jogo, com a frase: “Eu falhei com você como pai”. Como sempre, fizeram comparações curiosas e ridículas com o vício em drogas e afirmações vagas sobre a natureza impressionável dos cérebros das crianças.

Jogo videogame desde a época do Atari, frequentei muitos Fliperamas na minha infância e posso afirmar, com toda a certeza, que os games sempre foram discriminados pela sociedade. Por isso, antes de correr para cortar a assinatura do Playstation Plus do seu filho, vale a pena colocar as coisas em uma perspectiva mais real.

Estamos no meio de uma crise mundial e os últimos anos foram difíceis para todo ser humano na face da Terra. Vimos saltos históricos na depressão e no abuso de substâncias entre os adultos. Isso aconteceu porque as fugas saudáveis, como esporte e contato com a natureza, ​​ficaram escassas. Portanto, o entretenimento digital, que já crescia, conquistou praticamente todas as pessoas. Para muitas crianças, os games online passaram a ser um dos poucos lugares onde elas tinham uma vida social quase normal. Por isso vários especialistas enfatizam que precisamos ter uma abordagem equilibrada, em vez de um corte direto e radical desse entretenimento.

A interação digital é uma coisa incrivelmente valiosa e descartá-la, por causa de um pânico abstrato da tela, é muita irresponsabilidade dos pais. Sempre procuro incluir outras atividades entre os games, principalmente nas férias, pois precisamos perceber que as crianças não podem ir jogar bola todos os dias, ir ao cinema toda hora e muito menos encontrar um grupo de amigos. Afinal, todos temos responsabilidades no controle dessa pandemia, pois só assim conseguiremos acabar com ela.

Show do DJ Marshmello no Fortnite

O artigo do NYT aborda brevemente a socialização online, mas o guarda para uma espécie de reflexão irônica no final. Na reportagem eles dizem: “depois de bloquear seu filho do Xbox por algumas semanas, um pai observa: “Eu me sinto mal quando tento restringi-lo. É a sua única socialização.””

Para muitas crianças, esse é o ponto. Espaços online como o Fortnite são a única maneira de sair com os amigos para jogar e até assistir um show ao vivo, como os do DJ Marshmello e do Rapper Travis Scott, que por sinal foram vistos por várias famílias. A socialização está acontecendo assim e, enquanto o contato pessoal for um risco à saúde pública, esses serão os únicos lugares onde os encontros acontecerão.

É importante que as crianças interajam com outras. Cortar o tempo de tela as isola ativamente, causando danos mais concretos do que ficar conversando e jogando online com os amigos. E a única razão para cortar os games, é a ideia persistente e errada de que a socialização online, de alguma forma, não conta. O que é um erro gigantesco, pois qualquer tipo de socialização é válido.

O Rapper Travis Scott no Fortnite

O problema atual tem menos a ver com o tempo de tela e mais a ver com os antigos problemas da vida social dos jovens, antes da pandemia. Existem muitas coisas socialmente saudáveis que você pode fazer online, assim como existem coisas insalubres e isoladas que você pode fazer offline. Ver essa socialização acontecer em uma tela, não é o principal problema. Lógico que devemos ficar preocupados com espaços online prejudiciais à saúde, como a cultura dos distúrbios alimentares que vemos no Instagram, ou o lixo incel presente no Reddit. No entanto, o problema com esses espaços é que eles não são saudáveis só porque estão online, pois eles seriam prejudiciais em qualquer ambiente.

Considerar a Web e os Games como o principal problema, apenas confunde e incentiva os pais a isolarem um canal social saudável, ​​que os filhos utilizam. Compreendo que os pais também podem ficar deprimidos e ansiosos. Existe uma tonelada de motivos para se estressar nesse mundo atual e tenho certeza de que é preocupante ver o seu filho jogar Fortnite o dia todo. Mas, se você está preocupado em perder o contato com eles, pegue um controle e passe algum tempo no mundo que eles tanto adoram. Depois vai ficar mais fácil convidar o seu filho para ler um livro com você.

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