Habitantes do mundo e principalmente das ilhas do Pacífico travam uma batalha contínua contra a elevação do nível do mar e os ciclones tropicais que devastam suas casas e sua infraestrutura de energia, com uma regularidade devastadora.

As mudanças climáticas extremas estão se tornando mais comuns em lugares como Fiji, Tonga, Vanuatu e centenas de pequenas e, muitas vezes remotas, ilhas que compõem a região.

Por causa das constantes tempestades na região, essas comunidades ficam regularmente sem energia por longos períodos, devido aos sistemas de energia totalmente vulneráveis. Esse problema causa um efeito em cadeia para as economias locais e a vida em geral, que pode ser paralisante para países como Vanuatu, que perdem até 17,9% do PIB devido às mudanças extremas no clima, que aumentam a cada ano.

Agora, um novo artigo publicado na revista Nature Energy, expôs como os aglomerados de ilhas podem atingir suas metas de acesso à energia e uma transição para uma energia sustentável, encarando e resolvendo o problema das mudanças climáticas, riscos climáticos e também da pandemia de COVID-19.

O artigo sugere que as comunidades locais precisam ser envolvidas no planejamento e manutenção desses sistemas de energia renovável, por causa da distância e da taxa crescente de desastres que elas enfrentam. Esse artigo, de autoria dos acadêmicos da Loughborough University, University of the South Pacific, University of New South Wales e University of Papua New Guinea, faz uma série de recomendações para as áreas onde mais pesquisas e inovações são necessárias e foi categorizado em três áreas principais:

Planejamento financeiro e energético inovador

Com um maior reconhecimento da comunidade, será possível encontrar mais respostas aos desafios energéticos e promover abordagens descentralizadas aos termos de governança e tecnologias. O documento apóia a implementação do Quadro para Segurança e Resiliência Energética (FESRIP) 2021-2030, que representa uma nova fase para a criação de uma política energética para a região, que inclua a população no centro do problema.

Além disso, o documento sugere que o sucesso na resiliência energética exigirá iniciativas lideradas localmente e regionalmente, que sejam coordenadas e precisará garantir que as ilhas possam alavancar o conhecimento, as parcerias e a capacidade necessária.

A Loughborough University, que liderou o estudo, disse: “Os países e territórios do Pacífico estão sofrendo o impacto da mudança climática, com ciclones, aumento do nível do mar e inundações costeiras que ameaçam vidas e meios de subsistência.”

“Precisamos agir rapidamente para garantir que as pessoas tenham acesso à serviços de energia sustentáveis ​​e modernos, que possam continuar a funcionar em face desses choques e tensões.”

“Os países e territórios insulares do Pacífico estão se preparando para uma nova estrutura de energia regional, que coloca a segurança e a resiliência em seu núcleo. Os aprendizados com isso serão importantes para todos nós, para garantir a resiliência energética.”

“O que pedimos é um esforço global e multidisciplinar para abordar as prioridades de pesquisa e inovação, em parceria com as partes interessadas na região do Pacífico.”

“Isso pode apoiar a tomada de decisões com base em evidências, incluindo o desenvolvimento de planos de ação relevantes para as agendas regionais, nacionais e locais.”

“Abordar essas prioridades de pesquisa e inovação, também contribuirá com uma perspectiva do Pacífico sobre a resiliência energética para debates globais, ilustrando como outros países podem enfrentar desafios semelhantes.”

As três principais áreas de recomendações são subdivididas em 11 prioridades de ação em pesquisa e inovação.

Planejamento e finanças

  • Incorporar princípios de resiliência em ferramentas e processos de planejamento de rotina.
  • Identificar os principais vínculos entre a resiliência energética e as metas de desenvolvimento mais amplas, para alcançar uma melhor integração de políticas.
  • Mapear potenciais compensações entre padrões de alta qualidade para sistemas de energia e a capacidade de manter e reparar sistemas.
  • Melhorar os dados de campo, a modelagem de demanda e as ferramentas de planejamento de energia.
  • Projetar processos de análise de implementação e planejamento de múltiplas partes interessadas em desenvolver capacidade, autonomia, transparência e responsabilidade para a tomada de decisões, que sejam relacionadas à energia.
  • Identificar caminhos para lidar com os conflitos da Terra e políticas comunitárias mais amplas, que sejam associadas à projetos de energia, criando mecanismos para a resolução de conflitos que possam ser integrados aos processos de planejamento.
  • Identificar os pontos de alavancagem nos mecanismos regionais existentes, que possam interagir com o planejamento nacional, superando os desafios de escala e capacidade.

Ações da comunidade

  • Identificar as estratégias de resiliência que as comunidades implementam atualmente, incluindo aquelas que se baseiam em costumes e práticas tradicionais e que podem ser usadas para melhorar a demanda no setor de energia.
  • Compreender as necessidades de energia e estratégias de resiliência de grupos historicamente marginalizados.

Abordagens descentralizadas

  • Construir modelos de negócios viáveis ​​para sistemas de energia mais resilientes, que incluam um maior envolvimento do setor privado e da população.
  • Compreender as implicações de governança e a manutenção de diferentes esquemas de propriedade dos sistemas de energia descentralizados.

Chegamos a um ponto onde é necessário a participação de todos e que as crises climáticas, causadas pelo descaso da humanidade, precisam ser enfrentadas com inteligência, adesão e tecnologia. Adiar a criação de sistemas de energia renovável, só irá dificultar a solução de um problema que já cria consequências devastadoras para o nosso planeta.

Artigo: Hugo Machado

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