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Antes de renascerem como o carro-chefe da nova linha de super-heróis de Gerard Way, a Patrulha do Destino sempre foi a superequipe mais esquisita da DC.

Quando a DC lançou um novo selo, chamado Young Animal, ela ressuscitou a Patrulha do Destino, que estava no catálogo da editora há mais de meio século e ainda permanecia desconhecido, apesar de ter vários quadrinhos e uma série de TV.

A Patrulha do Destino apareceu pela primeira vez na HQ My Greatest Adventure No. 80, criada por Arnold Drake e Bruno Premiani. Não podemos esquecer que esse lançamento foi uma das coincidências mais estranhas da história dos quadrinhos, pois a Patrulha do Destino apareceu na mesma época de X-Men nº 1, da Marvel, e ambas as séries são centradas em um grupo de figuras estranhas e mutantes. Lembrando que o slogan da Patrulha do Destino era “Os Heróis Mais Estranhos do Mundo!” enquanto o dos X-Men era “Os Adolescentes Mais Estranhos de Todos!”.

Os dois grupos eram bem semelhantes, pois a Patrulha do Destino enfrentou a Irmandade do Mal, enquanto os X-Men lutaram com a Irmandade dos Mutantes do Mal. Além disso, o co-criador da Patrulha do Destino, Drake, assumiu a HQ dos X-Men, na edição 47 da revista.

Patrulha do Destino e X-Men surgiram na mesma época

Enquanto os X-Men tinham um grupo de adolescentes lutando para serem aceitos por um mundo que os odiava e os temia, a Patrulha do Destino era bem mais sombria. A equipe era composta por um trio de pessoas que sofreram acidentes horríveis. Tinha o Homem-Robô, um piloto de corrida cujo corpo foi destruído e o seu cérebro foi colocado em um corpo de robô; o Homem-Negativo, um piloto de testes que se tornou radioativo após um acidente e a Mulher-Elástica, uma atriz que perdeu o controle do seu corpo depois de ser exposta a misteriosos gases vulcânicos, algo que deixou-a bem amarga e louca.

Com uma galeria de vilões também esquisitos, como Monsieur Mallah, um gorila superinteligente, e o Homem-Animal-Vegetal-Mineral, que podia mudar partes do seu corpo e imitar quase tudo. Infelizmente, a equipe não teve o sucesso dos X-Men e, depois de cinco anos, a HQ da Patrulha do Destino foi cancelada.

Considerando que essa história em quadrinhos foi cancelada devido ao seu péssimo resultado de vendas, a HQ Doom Patrol nº 121, de 1968, deu um passo além e acabou com a vida da equipe, quando os heróis se sacrificam para salvar uma ilha cheia de civis. O mais engraçado foi a nota editorial presente na HQ, que dizia exatamente isso: “a única coisa que pode reverter a morte da Patrulha do Destino, é um súbito aumento de vendas! Então conte para os seus amigos! Diga até para os seus inimigos, COMPRE esta edição – ou será o adeus da Patrulha do Destino!”

Infelizmente, esse apelo não sensibilizou muito os leitores e a equipe morreu, pelo menos temporariamente. Isso, porque tivemos uma segunda tentativa unindo um Homem-Robô reconstruído e personagens totalmente novos. No entanto, a HQ também fracassou rapidamente e desapareceu logo após a sua estreia, em 1977.

Grant Morrison criou um novo perfil para a Patrulha do Destino

Em 1987, a Patrulha do Destino surgiu com outra formação totalmente nova, junto com o Homem-Robô. Lógico que, a essa altura, o conceito original havia sido praticamente abandonado, com a Patrulha do Destino tentando ficar mais próxima dos super-heróis bem-sucedidos da Marvel, só que, novamente, o público não parecia muito animado com aquilo que estavam oferecendo. Portanto, cancelarem a série pela terceira vez, mas os editores optaram por entregar a HQ para um recém-chegado na cena dos quadrinhos americanos: o escritor britânico Grant Morrison.

Não podemos dizer que Morrison redefiniu a Patrulha do Destino pois isso seria um eufemismo e também um mal-entendido. Mas, podemos dizer que ele levou a equipe à outro estágio, deixando o Homem-Robô como protagonista e criando uma versão revisada do Homem-Negativo, fundindo suas identidades secretas, masculinas e femininas, criando um terceiro herói ambíguo de gênero e totalmente novo. Um personagem com transtorno dissociativo de identidade, onde cada personalidade diferente tinha os seus próprios superpoderes distintos.

Morrison e o artista Richard Case fugiram do conceito de super-heróis tradicionais, trazendo influências díspares, como a psiquiatria alemã do século XIX, movimentos artísticos do século XX e teorias científicas atuais. Em vez de enfrentar supervilões, a equipe lutou com pinturas que comiam a vida real, os perigos da escrita dinâmica e todo tipo de questões metafísicas que ameaçavam a realidade.

Não havia nada parecido com isso nos quadrinhos, pelo menos na editora que publica Super-Homem e Batman. Pela primeira vez em décadas, a Patrulha do Destino fez jus ao seu slogan, e passou a ser o grupo de super-heróis mais estranhos do mundo. A HQ Doom Patrol, de Grant Morrison, merece ser lida.

É possível que a história de Morrison tenha sido muito chocante e ousada, assustando os seus sucessores na revista. Apenas a romancista Rachel Pollack, que seguiu um pouco o conceito de Morrison, foi aceita pelos fãs, com todas as outras tentativas de fazer a Patrulha do Destino funcionar, tropeçando. Até uma versão de 2001, que trouxe uma nova linha de personagens, não foi suficiente para que a Patrulha do Destino encontrasse uma base de fãs.

Três outros relançamentos em 2004, 2009 e 2014 reiniciaram o conceito e levaram a equipe de volta aos seus membros originais, mas também não tiveram resultados positivos.

Após essas tentativas frustadas de elevar o conceito editorial da Patrulha do Destino, chegou a vez de Gerard Way e Nick Derington assumirem essa estranha equipe da DC.

Gerard Way, do My Chemical Romance, assumiu a Patrulha do Destino

Com um senso de humor apurado e um gostinho altamente bizarro, o selo Young Animal da DC, que tem o célebre cantor do My Chemical Romance, Gerard Way, como escritor, conseguiu destacar a Patrulha do Destino e atrair novos leitores

Auxiliados pelos magníficos desenhos de Nick Derington, Way e companhia trouxeram histórias fantásticas e impossíveis, que mostram a Patrulha do Destino em aventuras espaciais, algo que agradou recém-chegados e até veteranos leitores dessa HQ.

Não li todas as revistas dessa série mas, na pior das hipóteses, as histórias de Way são divertidamente bizarras, apesar dele seguir os fios narrativos de cada personagem. Essa série fez a Patrulha do Destino conquistar um novo marco, graças às suas história habilmente escritas.

A arte de Nick Derington é sensacional e segue bem o roteiro de Way, que tem cidades vivas, magnatas de fast-food alienígenas, oferecendo um toque visual consistente e sensível. Essa nova Patrulha do Destino permanece como uma HQ totalmente única, construída sobre as bases pavimentadas pelos autores da Vertigo, dos anos 90.

Uma HQ da Patrulha do Destino que merece ser lida

A Patrulha do Destino de Gerard Way está pronta para ocupar o lugar que tinha na Vertigo e ser o principal selo adulto da DC. Há uma sensibilidade punk rock presente, totalmente em desacordo com o que acontece na série da Warner Brothers e por isso prefiro a HQ. Enquanto a DC continua trabalhando duro para reiniciar esses heróis, Way e sua equipe criaram um pequeno pedaço do paraíso, onde alguns quadrinhos merecem ficar.

Na Amazon você encontra o Selo Young Animal da Patrulha do Destino



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