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“Quando a meia-noite, me encontrar
Junto à você
Algo diferente vou sentir
Vou precisar me esconder

Na sombra da Lua cheia
Esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem
Um saci-pererê”


Não é só na sexta-feira 13, toda noite escura combina com filmes horripilantes, seja sozinho ou acompanhado, mas tem que ser na total escuridão, sem nenhuma lâmpada ligada ou até pode pedir para a Alexa criar uma iluminação apropriada.

O importante é que você possa levar muitos sustos. Não precisa ser exatamente uma noite chuvosa, mas a total escuridão é algo essencial para revisitar alguns dos melhores filmes de terror já feitos. Filmes que nos atraem para o mundo dos pesadelos e conseguem sacudir os nossos ossos por algumas horas, nos levando para o lado que liberta os terrores físicos e emocionais. Se você está procurando sustos, diversão e muito sangue adicional, nossa lista vai ajudar muito.

Escolhemos clássicos do terror, com facas afiadas, obras-primas com muitos vampiros e demônios, choques sobrenaturais e muitas esquisitices que vão fazer os seus cabelos ficarem em pé. Veja abaixo nossa lista de filmes de terror, mas não nos responsabilizamos se você escutar algum barulho na cozinha, ou ver alguma sombra na sua janela.

Sexta-Feira 13

Vamos iniciar com essa obra fundadora do subgênero slasher e, surpreendentemente, um filme ainda bastante empolgante. Você não pode assistir filmes de terror, sem assistir primeiro Sexta-Feira 13, isso é um sacrilégio e gera muitos anos de azar. Portanto, procure o original desta série de filmes de terror, de 1980, que tem até um jovem Kevin Bacon. As surpresas sangrentas e estética dos anos 70 fizeram deste filme um clássico Cult. Este mostra um grupo de conselheiros de acampamento que são perseguidos e assassinados por um agressor desconhecido, depois que eles resolvem reabrir o Camp Crystal Lake, que anos antes foi o local do afogamento de um menino. Jason is alive!

It, A Coisa

Não preciso esconder de ninguém que sou fã de Stephen King. Gosto de histórias de terror desde a mais tenra idade, quando o Drácula ainda era o Bella Lugosi e o filme passava na TV tarde da noite. King escreveu um livro ótimo, que rendeu duas adaptações cinematográficas: It. No Brasil, It, A Coisa. A primeira, de 1990, dirigida por Tommy Lee Wallace e estrelada por Tim Curry no papel de Pennywise e Richard Thomas como Bill Demborough é um filme bem datado. Os efeitos especiais da época, vistos hoje, deixam um pouco a desejar. A atual, contudo, é um primor. Dividida em duas etapas, dois longas, permite acompanhar bem a trajetória dos personagens que se assombram com o palhaço assassino, que de 27 em 27 anos aterroriza a pequena, pacata e fictícia Derry, no Maine. Cada um parte para uma vida de sucessos, mas havia o compromisso, um verdadeiro pacto de sangue, de voltarem, caso Pennywise voltasse a atacar. Há que assistir os dois volumes para compreender bem a história, embora a adaptação deixe, na minha opinião, importantes aspectos de lado. O fim do filme é eletrizante!

Os Garotos Perdidos – (The Lost Boys)

Os Garotos Perdidos, de Joel Schumacher, foi um clássico imediato, mesmo sendo uma comédia cafona dos anos 80, mas sua trilha sonora de sucessos e, claro, suas ombreiras, garantiram o seu sucesso. O destaque deste filme são os vampiros, vampiros adolescentes pra ser mais exato e, claro, há uma garota perdida também. Eles ficam pendurados no teto do seu covil, nas ruínas de um hotel antigo e à noite saem para cruzar o calçadão de Santa Cruz, Capital Mundial do Assassinato em Massa (pesquisem na Web). Quando um novo garoto se muda para a cidade, os garotos perdidos parecem ameaçadores, mas a garota perdida parece uma boa companhia para ele.

O principal antagonista do filme, David, interpretado por Kiefer Sutherland, é uma adaptação fantástica do valentão clássico dos anos 80, reforçado por sua confiança flagrante como vampiro. Embora ele e o seu grupo pareçam jovens bobos, a maneira como Sutherland interpreta uma criatura da noite é inegavelmente intimidante, tornando-o uma adaptação óbvia de vampiros clássicos, num cenário mais moderno. Isso tudo com a fantástica People Are Strange (The Doors), tocada pelo Echo & the Bunnymen, que faz parte da trilha sonora.

Hellraiser – Renascido do Inferno

É difícil lembrar agora com Hellraiser era diferente, quando chegou no final dos anos 80. Esse filme de Clive Barker foi um drama adulto, com fundamentos sobrenaturais e violentos. Hellraiser é um filme tão sombrio e horrorizou muitas noites longas e frias de quem já assistiu o filme. Este é um daqueles filmes que você tem um medo crescente, que desenvolve dentro de você, junto com o longa-metragem. Tirando os primeiros sustos, o filme caminha para o óbvio e hoje em dia nem assusta tanto assim, quem sabe Stephen King não resolva criar um Reboot mais assustador.

Mesmo assim Hellraiser merece estar nessa lista de filmes que devemos assistir nas noites escuras.

Os Outros – (The Others)

Esse é para quem gosta de filmes de terror que tenham um bom enredo, algo que não falta em Os Outros. À primeira vista, o filme parece ser apenas mais uma história com uma casa mal-assombrada, mas o final tem uma reviravolta impressionante. É estranho, perturbador e muito triste também, algo que o torna especial para os amantes do terror e suspense.

Se for possível, assista esse filme em uma casa com muitas janelas de vidro e com um quintal imenso, cheio de árvores. Com certeza ele será ainda mais assustador, eu posso garantir. O filme se passa em uma mansão isolada na ilha de Jersey, que fica na costa britânica. Nesta casa vive Grace (Nicole Kidman) e seus dois filhos, o medroso Nicholas (James Bentley) e a atrevida Anne (Alakina Mann).

O diretor do filme, Alejandro Amenabar, teve muito talento e paciência para criar uma atmosfera sombria e sonhadora e, lógico, Nicole Kidman consegue nos convencer de que ela é realmente uma pessoa normal, que vive uma situação perturbadora. Não vou falar mais, para não estragar a surpresa.

Freddy vs. Jason

Não existe nenhum filme tão repugnante e mesmo assim digno de ser assistido em qualquer  fim de semana chuvoso. Freddy vs. Jason mostra esse confronto louco entre um assassino com muita massa brutal e com deficiência mental e um pedófilo carbonizado e homicida que pode matá-lo dentro do seu próprio sonho, isso é muito divertido e tem sangue e gosma em várias cenas. O filme mostra um trabalho sombrio e elegante no confronto entre essas duas lendas do terror, apesar do roteiro ser um lixo.

Freddy vs. Jason está nesta lista porque sua violência é brutal, sangrenta e incessante. O roteirista Damian Shannon já disse que as únicas ordens que recebeu do estúdio eram para que o filme fosse violento e nojento. Por isso vemos pessoas sendo cortadas em dois, empaladas, eletrocutadas, queimadas, desmembradas ou decapitadas. Ingredientes essenciais para qualquer Movie Trash.

Poltergeist – O Fenômeno

Toda vez que passo pelo Setor Noroeste, que fica em BSB, penso no filme Poltergeist. Isso porque um Pajé, que ainda mora por lá, lançou uma maldição contra esse setor, por ele ser construído sobre um cemitério indígena, segundo ele. Algo bem parecido com o filme, onde uma família muda para uma casa que fica sobre um antigo cemitério, que passa a ter um tipo de problema que nem os Irmãos à Obra conseguiriam resolver. Os problemas enfrentados pela família Freeling neste filme de terror, criado por Tobe Hooper/Steven Spielberg, envolvem bestas sobrenaturais, vórtices aéreos, objetos flutuantes e um grande rapto interdimensional de crianças. Poltergeist criou uma espécie de manual com todas as catástrofes domésticas sobrenaturais possíveis e continua sendo assustador até hoje.

No filme a filha mais nova da família, uma menininha de cabelos longos que faz a cena que se tornou um ícone, começa a falar com a tela e entra em contato com o Povo da TV. Em pouco tempo ela desaparece desse plano de existência e vai morar com o tal pessoal da TV, onde quer que eles estejam. A partir daí eventos estranhos começam a acontecer na casa e sua família faz de tudo para resgatá-la.

Corra – (Get Out)

Poucos filmes de terror tiveram um impacto tão instantâneo e sísmico nos últimos anos, quanto Corra. Nessa crítica sádica e extremamente potente, Jordan Peele retrata os horrores sociais num estilo clarividente e direto, através da história de Chris. Esse jovem negro americano se prepara para conhecer os pais da sua namorada branca, de classe média, durante um fim de semana que vira um pesadelo. O filme apresenta perfeitamente uma estranha interação social e a experiência negra na América contemporânea, com atuações fantásticas de Daniel Kaluuya, Bradley Whitford e Catherine Keener. Corra é tão inteligente e assustador que até chamou a atenção da Academia, ganhando o Oscar de Melhor Roteiro e indicação em Melhor Filme, Diretor e Ator Principal.

Corra mostra um homem negro que tropeça num mundo muito branco e estranho, o que é algo terrível e, infelizmente, muito verdadeiro. A maneira inteligente como isso é apresentado no roteiro e as múltiplas formas como o tema é incluso no filme, com vários símbolos e motivos visuais repetidos, faz de Corra um ótimo candidato para se juntar aos clássicos do horror social.

Carrie – A Estranha

Carrie, A Estranha foi um dos primeiros filmes a utilizar uma força sobrenatural aterrorizante: a puberdade. O romance de Stephen King, sempre ele, apresenta as provações da adolescência como um terreno fértil para o horror e encontrou um diretor digno para a sua primeira adaptação cinematográfica. Brian De Palma dá vida à esse conto com um gosto sádico e um trabalho de câmera inteligente e ousado para a época. Sissy Spacek oferece à Carrie uma inocência infantil e genuína, principalmente com a sua interpretação dos ataques telecinéticos assassinos. A atuação da atriz na cena do baile, consegue ser simultaneamente simpática e assustadora.

Não vou estragar o clímax do filme, para quem não assistiu, falando o que acontece nas principais cenas desse filme. Mas Carrie é uma verdadeira história de terror em que o horror cresce a partir dos próprios personagens.

O Bebê de Rosemary – (Rosemary’s Baby)

Assisti o filme O Bebê de Rosemary pela primeira vez sentado no sofá de uma casa antiga, com portas gigantes e fechaduras enormes, portanto nem preciso falar que foi bem horripilante. Recentemente assisti ao filme novamente e ele continua sendo inquietante e mórbido. O Bebê de Rosemary é um cruzamento distorcido entre O Exorcista e O Que Esperar Quando Você Está Esperando, este clássico do suspense não é um filme para assistir quando você está pensando em se estabelecer na vida familiar, ou planeja mudar de casa.

Os vizinhos, literalmente, são uma proposta infernal para os recém-casados interpelados por Farrow e Cassavetes, quando eles resolvem mudar para Manhattan. Fora das quatro paredes do casal, as forças das trevas giram e as cenas do filme apresentam um clima de paranoia claustrofóbica e infinitamente assustadora.

O filme é baseado no romance de Ira Levin, sobre bruxas e demônios modernos. Mas é muito mais do que apenas uma história de suspense, o brilho do filme vem mais da direção do cineasta Polanski. Uma dica: assista esse filme com alguma companhia.

O Exorcista – (The Exorcist)

Vamos entrar agora nos filmes de terror nível hard. Há muitos filmes de terror com reputações infames e depois há o Exorcista. Este é um filme que levou os donos de cinema a oferecer sacos de vômito para os clientes enjoados e algumas salas tinham até uma ambulância na porta, para ajudar com os desmaios regulares que aconteciam nas sessões. Confesso que até hoje penso duas vezes antes de assisti-lo. Além de tudo isso que falei acima, o filme foi acusado de corromper a mente dos jovens com imagens subliminares, algo que é tipo aquela história de escutar o disco da Xuxa ao contrário.

Em meio ao barulho e furor, as conquistas de William Friedkin nesse filme foram quase ignoradas, como ele habilmente conseguiu misturar a religião e a psicologia com temas como fé incondicional e amor materno. E isso é assustadoramente assustador ao extremo, pois é tudo muito real.

Esse filme nos leva a experimentar o horror e a confrontar a realidade do sofrimento humano e por isso é tão maligno, pois apresenta na tela o sofrimento de uma jovem, interpretada por Linda Blair.

Entrevista Com o Vampiro – (Interview With the Vampire)

Um vampiro moderno chamado Louis (Brad Pitt) está em São Francisco quando encontra um jornalista freelancer chamado Malloy (Christian Slater) e, em vez de sugar o seu sangue, decide dar-lhe uma história incrível. Nessa primeira parte do filme ele cumpre sua promessa, já que Louis relata a sua segunda vida, depois que ele se tornou um vampiro. Baseado no romance de Anne Rice, Entrevista Com o Vampiro é um filme de terror com uma abordagem mais moderna e tem Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas no elenco.

Gosto desse filme porque um dos personagens implora para ser transformado em vampiro, e aguarda ansiosamente a desgraça da imortalidade, Entrevista Com o Vampiro mostra o que o vampirismo realmente é, nada além de uma tristeza sem fim. Como Nosferatu mostrou no filme de 1922, ser um vampiro é uma viagem solitária e longa. Please allow me to introduce myself,
I’m a man of wealth and taste. I’ve been around for long long years, Stole many a man’s soul and faith

A Profecia – (The Omen)

Filme de terror que tem criança no elenco é algo muito tenebroso e esse, A Profecia, é o ápice do horror cinematográfico. No filme um diplomata americano chamado Robert Thorn (Gregory Peck), passa a acreditar que o seu filho é na realidade o anticristo. À medida que vários eventos misteriosos em torno da criança aumentam, liderados pela misteriosa governanta, a Sra. Baylock (Billie Whitelaw), ele acaba se convencendo de que precisa tomar medidas drásticas para salvar o mundo da aniquilação satânica.

Não sei se é porque assisti à esse filme de terror no cinema, que quase sempre era vazio, mas A Profecia ainda continua sendo um dos filmes mais inquietantes de assistir. Por isso ele entrou nessa lista de filmes que devemos assistir na calada da noite.

Você encontra a maioria desses filmes nos serviços de Streaming, ou pode comprar em Blue-Ray ou DVD no link que disponibilizamos abaixo.

Bons sustos!

Artigo: Hugo Machado e Cristovam de Freitas


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