O avanço da inteligência artificial nas escolas cria uma preocupação para professores e especialistas, pois a IA pode prejudicar o aprendizado na sala de aula.

A tecnologia sempre esteve presente, de forma responsável, na educação
Sete em cada dez estudantes do Ensino Médio no Brasil já utilizam a inteligência artificial generativa para pesquisas escolares. Ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini já fazem parte da rotina de estudos. O dado vem da pesquisa TIC Educação 2025, divulgada pelo Cetic.br, e mostra que a tecnologia já chegou às salas de aula.
O desafio é a falta de orientação desses alunos. Apenas 32% dos estudantes do Ensino Médio receberam instruções sobre como utilizar a IA de forma segura e responsável. No Ensino Fundamental, 39% dos estudantes, que estão nos anos finais, já utilizam inteligência artificial, mas também com pouca supervisão.
O tema ganhou destaque após um caso recente nos Estados Unidos. Um professor da Alcorn State University incluiu uma instrução secreta em uma prova para identificar alunos que usaram IA. Entre 35 estudantes, 32 foram pegos ao copiar a questão com a ajuda de uma inteligência artificial.
Com o uso crescente da IA na educação, cresce também a necessidade de guias claros e práticas seguras para garantir aprendizado e ética digital.
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IA e pensamento crítico
De acordo com Kassula Corrêa, Diretora Geral da Start Anglo Bilingual School Recreio, situações como essa evidenciam que o foco não deve estar apenas em detectar o uso da inteligência artificial, mas em preparar os alunos para saber empregá-la adequadamente.
Proibir totalmente o uso de tecnologia em ambientes escolares não é uma solução eficaz. Crianças e adolescentes já estão em contato constante com ferramentas de inteligência artificial (IA) fora da escola e precisam aprender a dominá-las ao longo da vida acadêmica e profissional.
O papel da escola vai além de restringir o acesso, é essencial promover uma verdadeira alfabetização em inteligência artificial. As escolas precisam capacitar os alunos para compreenderem como essas ferramentas funcionam, seus limites, riscos e responsabilidades.
Segundo especialistas, simplesmente proibir não educa. É fundamental ensinar os estudantes a utilizarem a IA de forma consciente, preservando e desenvolvendo competências essenciais como pensamento crítico, criatividade, argumentação e autoria. Precisamos formar cidadãos capazes de usar a tecnologia, mas com responsabilidade. Esse é o caminho para garantir um aprendizado mais sólido, só assim vamos garantir que os jovens tenham uma preparação adequada. Antes de criar um prompt, os estudantes precisam saber o que está por trás da IA, esse é o principal desafio para um futuro digital mais seguro.
5 perguntas sobre IA na escola
Para entender como seus filhos e filhas estão usando a inteligência artificial na educação, confira abaixo as cinco perguntas que podem garantir uma aprendizagem saudável e responsável
Meus filhos sabem diferenciar se as respostas da IA são confiáveis?
Ferramentas de IA generativa podem produzir conteúdo incorreto ou incompleto. Ensinar a verificar fontes confiáveis é uma habilidade essencial para o uso seguro dessa tecnologia.
Os estudantes conseguem explicar com suas próprias palavras o que entregaram?
Se o estudante não consegue explicar o conteúdo sem depender da ferramenta, isso indica que a IA pode estar substituindo o processo de aprendizagem e não apenas apoiando.
A escola deve orientar sobre quando e como utilizar a IA?
Mais importante do que proibir ou liberar o uso é estabelecer critérios claros para o uso da inteligência artificial na escola e incentivar o aprendizado ativo.
O aluno continua produzindo textos e argumentos próprios?
A escrita autoral ajuda a organizar o pensamento. Se toda produção é delegada à ferramenta, o estudante pode perder oportunidades de desenvolver senso crítico e criatividade.
A IA ajuda o estudante a pensar, ou pensa por ele?
A melhor tecnologia educacional é aquela que permite que o aluno faça mais. Se a IA resolve tudo sozinha, temos uma tarefa pronta, mas não necessariamente houve aprendizagem.
Essas perguntas ajudam pais e escolas a garantir que a inteligência artificial na educação seja usada como uma aliada no aprendizado, sem comprometer o desenvolvimento das competências cognitivas e autorais dos jovens e das crianças.
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