Algumas músicas têm presença constante nas minhas playlists, principalmente quando posso explorar todo o potencial da minha caixa de som, e Fortunate Son é um Rock que toca quase toda semana na minha casa.

Várias músicas do Creedence Clearwater Revival que foram criadas pelo líder da banda, John Fogerty, continuaram a ecoar através dos tempos. Principalmente essa, que foi lançada em 1 de novembro de 1969 e até hoje é uma das mensagens de protesto mais poderosas do Rock’n’roll. Estou falando, claro, de Fortunaste Son.

A letra de Fortunate Son nunca citou nomes, mas a sua raiva era evidente e direcionada contra o envolvimento dos EUA na guerra do Vietnã. Mais do que isso, essa música criticava a política mortal onde tantos jovens estavam sendo enviados para a morte. “A música fala mais sobre a injustiça social do que a própria guerra”, Fogerty disse mais tarde. “É o velho ditado sobre homens ricos fazendo guerra e homens pobres tendo que lutar contra eles.”

Por isso Fortunate Son é um hino do rock, a letra foi criada na guerra do Vietnã mas pode muito bem ser uma música de protesto em 2021, onde nossos jovens continuam tentando sobreviver nesse mundo capitalista e sem nenhuma política social para ajudá-los. Uma pessoa que ouvir Fortunate Son pela primeira vez em 2021, especialmente alguém que não viveu na época em que os jovens eram convocados para a guerra, pode ter que refletir sobre a letra para entender o seu significado completo. Mas também pode entender que o verso abaixo continua atual e inclusive teve um novo clipe de Fortunate Son criado em 2018.

“It ain’t me
It ain’t me
I ain’t no senator’s son
It ain’t me
It ain’t me
I ain’t no fortunate one”

A música define bem a era do rock de protesto, criticando diretamente os hipócritas que utilizam o patriotismo para proteger seu privilégio e lucro. Portanto, podemos cantá-la na maioria dos países que sofrem na mão de ditadores, onde o povo precisa erguer sua voz e protestar contra todos aqueles que estão contra ele. A poderosa combinação de mensagem e energia de Fortunate Son levou vários artistas importantes a regravá-la, como U2, Pearl Jam, Bob Seger e Bruce Springsteen, além de ser tocada em filmes como Forrest Gump e por isso, merecidamente, entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll.

Para entender como esse rock continua atual, durante a complicada eleição americana John Fogerty teve que se manifestar. “Eu poderia ter escrito essa música agora”, disse ele. “Mas quando o Sr. Trump faz isso várias vezes, fica lá e conta uma mentira absurda, ele espera que esqueçamos a intenção original da música. Ele está usando o que eu tenho — meu disco, minha música, minha voz — e eu não quero que as pessoas pensem que eu apoio essa terrível supremacia branca, que é tão surda aos nossos ideais americanos.”

Ver John Fogerty falando sobre supremacia branca e racismo mostra que o rock surgiu para ser revolucionário, como podemos ver nesse outro trecho de sua entrevista. “Nos anos 60, tudo estava muito tenso”, disse ele. “Houve uma guerra que os jovens odiavam. Eu costumava balançar a cabeça e perguntar: ‘Onde estão os compositores, por que ninguém está escrevendo sobre isso?’ Agora tudo está mais uma vez muito tenso. Precisamos de músicas e de artistas que nos lembre que nem tudo está bem, porque a comunidade negra daqui certamente sabe disso há 400 anos, e você tem que ser cultural e eticamente cego para não estar ciente disso.”

Artista e roqueiro que não está em sintonia com o mundo em que vivemos e que se diz isenção, precisa rever o seu posicionamento. Portanto, está esperando o que? Entre agora na sua plataforma de música preferida e dê um play em Fortunate Son.

It ain’t me
It ain’t me
I ain’t no millionaire’s son
It ain’t me
It ain’t me
I ain’t no fortunate one

Veja o Clipe de Fortunate Son

Artigo: Hugo Machado


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