Don’t Stop Believin’, do Journey, continua resistindo até hoje porque ainda precisamos de músicas inspiradoras que despertem, unam, celebrem e renovem nossa força interior.

Don’t Stop Believin’ sempre foi uma música bastante tocada na minha casa, porque faz parte da trilha sonora do filme Rock of Ages e por isso sempre está presente em nossas playlists. Além disso a música também já apareceu em vários programas de TV, do Glee ao The X Factor e em vários filmes e séries, fazendo com que essa balada seja praticamente eterna.

Quarenta e um anos depois de sua estreia no álbum Escape, do Journey, Don’t Stop Believin’ continua sendo o hino favorito de quem é perseverante e segue surfando, onda após onda, na mídia. Embora a música tenha nascido na era do rock do rádio e das fitas cassete, ela encontrou sua verdadeira glória quando chegou à TV, Web e Smartphone, passando a ser uma presença constante em casamentos e formaturas pelo mundo.

De acordo com uma pesquisa da Nielsen Music, Don’t Stop Believin’ detém o recorde como a música mais baixada do século XX e tem quase 1 bilhão de streams no Spotify, na última contagem. Mas qual o motivo desse sucesso nunca acabar?

A história da música inicia com o tecladista do Journey, Jonathan Cain, que no final dos anos 1970 era um roqueiro iniciante e que estava pronto para deixar a Califórnia e voltar para Chicago. Cain disse que tudo estava dando errado: ele e sua namorada se separaram e ele teve que pagar uma conta do veterinário para salvar o seu cachorro, depois que ele foi atropelado.

“Liguei para meu pai pedindo algum dinheiro”, disse Cain. “Eu disse: Pai, estou sem dinheiro aqui … Devo voltar para casa? Esta coisa não está, você sabe, dando certo? E ele me disse: Sempre tivemos uma visão, filho. Não pare de acreditar. Eu tinha um livro com letras ao meu lado e anotei essa frase.”

Por incrível que pareça, as coisas começaram a melhorar para o músico depois disso. Cain participou de uma banda num mega show chamado Journey e foi aí que a sua própria jornada iniciou.

Em 1981, quando a banda estava gravando o álbum Escape, o vocalista Steve Perry pediu a Cain para que ele criasse uma faixa final. Cain ainda tinha aquele conselho do seu pai anotado e tirou dele a inspiração para a introdução no piano, que prepara para a frase do refrão.

Os personagens que aparecem no primeiro verso, uma garota da cidade pequena e um garoto de South Detroit, são bem familiares para ele. Quanto ao cantor na sala enfumaçada, com vinho e perfume barato, esse quadro representa o desespero que Cain sentia no bar Whiskey a Go G, que fica na Sunset Strip, durante o seu período difícil em Los Angeles.

“Eu realmente acredito que essa música é sobre querer fazer isso”, diz ele, “onde você pensa que está preso na vida – que é capaz de sair, da mesma forma que saí de Chicago.”

No final da década de 1990, Perry deixou o Journey e a carreira da banda estava chegando ao fim. Só que os pedidos: toca Don’t Stop Believin’, continuaram a chegar e a música passou a aparecer em filmes e séries.

Charlize Theron patinou ao som de Don’t Stop Believin’ e ganhou um Oscar interpretando uma assassina em série no filme Monster – Desejo Assassino, de 2003. Quatro anos depois, a série Sopranos encerrou, depois de seis temporadas na HBO, com uma sequência tensa envolvendo um restaurante e um estacionamento, tocando Don’t Stop Believin’. Após isso, os downloads da faixa no iTunes dispararam e continuaram a subir depois que o coral da série Glee cantou a balada na série.

Don’t Stop Believin’ também apareceu em Scrubs, South Park e Family Guy. Um conjunto de cordas a interpretou na comédia de Adam Sandler, Afinado no Amor (The Wedding Singer). Também tocou no meio esportivo, quando passou a ser a música do Chicago White Sox, na temporada da equipe de 2005 e atingiu o clímax no musical baseado no sucesso da Broadway, Rock of Ages.

Apesar de todo esse sucesso, o Journey ainda precisava de um novo vocalista que tivesse algo parecido com Steve Perry. Desesperado, o guitarrista Neal Schon começou a procurar por cantores, até descobrir Arnel Pineda, um ex-garoto sem-teto, que morava nas Filipinas e estava cantando as baladas da banda em locais esfumados e que cheiravam à vinho e perfume barato.

E assim Don’t Stop Believin’ continua sobrevivendo. É como aquele trem da meia-noite, que mantém uma velocidade constante e você permanece nele, até chegar ao seu destino.

Artigo: Hugo Machado


Veja Abaixo o vídeo de Don’t Stop Believin’

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