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A evolução dos formatos musicais sempre foi algo interessante de acompanhar. Em 1970 você ia alegremente comprar seu Vinil na Discoteca, em 1980 a Fita Cassete começou a ocupar seu espaço nas lojas e em 1990 o CD chegou com força total. Apesar do Vinil ter um marketing muito mais forte do que o CD, a qualidade de áudio do CD é muito melhor do que a do Vinil, o CD tem uma taxa de amostragem de 44 KHz a 16-bit, no Vinil ela é de 16 KHz a 8-bit. Por possuir mais groove e graves bem mais claros e limpos, o Vinil sempre foi o favoritos dos DJ’s. Mas, nas outras avaliações, o Vinil perde longe. Mesmo assim o Disco de Vinil retornou com força total.

O ressurgimento dos Discos de Vinil, em uma época de música digital e streaming, é uma história de como a inovação pode tornar possível certos retornos tecnológicos. Em 2019, as vendas de Discos de Vinil tornaram-se a maior fonte de receita de vendas físicas da indústria musical e embora continue sendo um produto de nicho, o Vinil pode muito bem sobreviver e ser o único meio analógico da indústria da música, à medida que as vendas de CD continuam em sua espiral descendente.

Mas por que o Disco de Vinil voltou a fazer sucesso?

Pesquisadores em sociologia e cultura de consumo mostraram como essa tendência vai muito além da nostalgia, os compradores de Vinil são atraídos por seu status como objeto e por sua presença física, com capas e conteúdo interessantes, além do próprio disco. Essa atração visual importa ainda mais hoje, pois na maioria das vezes ouvir uma música não envolve mais a compra física.

Para entenderemos essa evolução precisamos voltar para o final da década de 1980, quando as vendas de CDs começaram a superar as vendas de Discos de Vinil pela primeira vez e depois as vendas de Fitas Cassete, mais ou menos em 1993. Em 1998, o Vinil representava apenas 0,7% do faturamento total da indústria musical.

Mas por que os consumidores começaram a abandonar o Vinil e as Fitas Cassetes?

Isso aconteceu porque os CDs eram muito mais resistentes à arranhões e bem mais simples e práticos, fáceis de armazenar e de alternar para a música que você desejava ouvir e também porque os discos compactos foram vendidos como tendo uma qualidade de som superior, apesar dos puristas discordarem muito sobre isso.

Três décadas depois, a música digital chegou com força total e substituiu os discos compactos. Só nos Estados Unidos, a indústria de streaming é responsável por 80% das receitas da indústria musical. Comparando com os mesmos critérios que tornaram o Vinil obsoleto, a tecnologia de streaming atual supera os discos compactos em todas as dimensões: alta qualidade de som, fácil de carregar, não tem arranhões, é lógico, ou qualquer problema de armazenamento, basta você clicar e ouvir.

A única característica na qual o CD pode competir com o streaming é a sua presença física, algumas pessoas desejam possuir um objeto que possam tocar e exibir para quem visita suas casas. Mas nesta dimensão, parece que o Vinil está se saindo muito melhor do que os discos compactos. Por isso que as pessoas atraídas pelo objeto têm uma maior probabilidade de comprar um Vinil para complementar seu consumo digital.

A indústria musical e os varejistas de Vinil entenderam muito bem a importância dessa dimensão. Novos Discos e relançamentos recentes de Vinil incorporam características especiais que realçam os atrativos de comprar um Disco. A prensagem de Vinil pesado sugere a importância do conteúdo musical. O mesmo se aplica ao Vinil colorido e outras características especiais, como pôsteres de arte da capa e encartes impressos com qualidade.

Essa adoração pelo Disco de Vinil seria mais ou menos comparada com o crescimento da Câmera Analógica Polaroid, nessa época de câmeras com uma qualidade muito superior nos smartphones. As pessoas adoram objetos retrô porque podem expor as suas conquistas para os amigos e parentes.

Recentemente, o U2 ofereceu o seu álbum Songs Of Innocence não apenas para todos que queriam, mas também para todos que não queriam. Parecia o momento em que a indústria da música finalmente daria um salto, desistindo de qualquer pretensão de controle do seu futuro. Se uma das maiores bandas do mundo estava promovendo a mensagem de que a música era essencialmente sem valor, que esperança havia para todos os outros?

O outrora poderoso LP foi reduzido ao status de lixo eletrônico para promover o lançamento de um telefone celular. O sentido da música como mercadoria, e não como arte, nunca foi tão imenso.

No entanto, no mesmo momento em que o Songs Of Innocence estava chegando espontaneamente em 500 milhões de contas do iTunes, fábricas de prensagem em toda a Europa e América estavam trabalhando a todo vapor para atender a uma nova e crescente demanda por Álbuns de Vinil, essa forma pré-histórica que aparentemente havia sido consignada à mesma lata de lixo que continha a televisão em preto e branco, a fita cassete, a calculadora de bolso e o relógio digital.

Essa geração será a única que conhecerá essa dicotomia, pois vivemos a mudança e entendemos muito bem a diferença entre a música na sua forma física e na digital. O revival do Vinil é mais do que apenas uma conexão emocional com o nosso passado. Não é pura nostalgia. Em vez disso, trata-se de recuperar a importância da música, de torná-la uma experiência mais central em nossas vidas novamente.

O Vinil, mais do que qualquer outra forma de música já criada, reforça o vínculo entre o artista e o ouvinte. Rejeita a superficialidade e torna a música um momento de apreciação. Olhar para uma coleção de Vinil antiga, pode ser como olhar um álbum de fotos antigas: há uma vida inteira neles. Comprar um Disco de Vinil relançado, também possibilita esse retorno ao passado, reativando as memórias de quem já escutou aquela Banda numa vitrola, ou recriando esse momento para quem não teve essa oportunidade de escutar um disco com os amigos.

O mais importante mesmo é ter sempre a música em nossas vidas. Nesse período sombrio onde acreditam que a Terra é plana, ou negam a eficiência de vacinas, precisamos escutar muito Led Zeppelin, Queen, Belchior e Caetano com o som no máximo. Não importa muito se é no Streaming ou Vinil.

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