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Adeus, Lênin!, de Wolfgang Becker, apresenta um olhar divertido sobre a queda do Muro de Berlim e os efeitos da globalização americana no exterior.

Essa produção alemã de 2003 apresenta um drama familiar emocionante e hilário, sobre a dedicação de um filho à sua mãe doente e a sua tentativa de resgatar um passado nostálgico. A história do filme ocorre em 1989, um mês antes da queda do muro que cortava a cidade de Berlim e separou a Alemanha Oriental de sua irmã ocidental, durante 29 anos. A professora Christiane (Katrin Sass) é uma fervorosa defensora do comunismo e o seu filho, Alex (Daniel Bruhl), cresceu feliz sob esse regime autoritário que controlava programas de televisão, comida estocada nas mercearias e até o tamanho dos apartamentos disponíveis para os moradores.

Alex não está cego para essas mudanças e a forma como elas irão varrer o mundo no qual ele vive. Ao contrário de Christiane, cujos olhos estão metaforicamente obscurecidos por uma gigante bandeira vermelha, que cobre sua janela durante uma enorme celebração pública de mais um marco socialista. Alex sabe tudo que esse muro representa e como ele será reduzido a escombros.

Após Alex participar de uma manifestação contra o governo e sua mãe ter a infelicidade de ver o filho sendo espancado pela polícia, Christiane entra em coma e a narrativa da história passa por ela e tudo aquilo que Alex irá fazer, para manter essa realidade destruída. Ele e sua irmã oferecem a ela uma impressão ridícula de que nada mudou. A história de Adeus, Lênin! consegue traçar as distinções entre socialismo e capitalismo e inteligentemente zomba de ambos, sem cair em mensagens didáticas.

Realmente é difícil julgar se a troca de um governo opressor, por um capitalismo cruel, trouxe alguma vantagem para quem morava na antiga Alemanha Oriental, mas vamos continuar falando sobre o filme, pois esse assunto precisaria de muitas linhas para ser explicado.

Uma cena crucial mostra uma troca de guarda sendo ofuscada por uma frota de caminhões da Coca-Cola, simbolizando o poder decrescente do outrora todo-poderoso estado totalitário, diante do capitalismo. Algo reforçado por uma série de detalhes visuais, para demonstrar como deve ter sido estranho, esmagador e possivelmente ridículo, a chegada do capitalismo para alguém criado sob o socialismo. E podemos ver isso quando Alex cruza a fronteira pela primeira vez e vai direto para uma locadora de vídeos pornográficos. Ele assiste um clipe numa tela, mostrando uma atriz pornô derramando chantilly em seus seios, falsamente aumentados.

Logo após a queda do muro vemos a loja da esquina, sempre vazia de produtos e onde Alex não consegue comprar nem pepinos em conserva, reabrindo com prateleiras cheias de artigos ocidentais e até uma pessoa fazendo compras, fantasiada de pássaro. Reforçando essa louca pressão capitalista, vemos a mãe de Alex em coma, durante a queda do muro, enquanto sua filha troca um diploma de engenharia para trabalhar no Burger King.

Mas a cena mais icônica e inesquecível acontece quando a estátua de Lênin está sendo levada de helicóptero e o seu braço estendido aponta para Christiane, como se estivesse dando um último adeus para a professora. Nessa hora ela percebe que a sua antiga Alemanha Oriental, já não existe mais.

Na última cena de Adeus, Lênin!, vemos Alex homenageando à sua mãe e também o seu antigo País. Ele cria uma transmissão final, onde descreve a unificação alemã como uma demonstração coletiva de apoio ao socialismo e não ao capitalismo. Alex percebe como a Alemanha Oriental criada para iludir a sua mãe, é a mesma que ele sempre sonhou. Ao enxergar esse detalhe, Alex consegue abandonar o perfil criado para proteger a sua identidade, pois finalmente entende que ele pode seguir em frente, sem esquecer todo o seu passado.

Ele agora entende como manter um vínculo com o seu passado pessoal e a vida com a sua mãe, conseguindo finalmente seguir em frente nessa nova Alemanha unificada.

Adeus, Lênin! está disponível em várias plataformas de streaming.

Artigo: Hugo Machado


Veja o trailer:

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