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O filme de Stanley Kubrick, baseado na obra do romancista Arthur C Clarke, dedica uma boa parte do tempo para que possamos imaginar o início da civilização humana, bem como um futuro, que não está tão distante agora, permanecendo inteligente e provocativo até hoje. Pois, apesar das realizações tecnológicas apresentadas nesse século, o filme 2001 penetra em nossas mentes e revela um enigma ainda atual: onde encontraremos os novos ossos e as novas ferramentas que nos levarão para o futuro?

Parecendo distintamente monolítico, o sistema para casas inteligente, da Amazon, utiliza uma assistente de voz chamada Alexa e o seu estilo vocal foi totalmente influenciado pelo computador HAL 9000, de Kubrick. Uma prova de que esse épico futurista não apenas abalou o mundo do cinema, mas também o mundo da ciência. O próprio dono da Amazon, Jeff Bezos, de 57 anos, viajou ao espaço ao lado de três acompanhantes à bordo da cápsula New Shepard, que chegou a 107 quilômetros de altitude da Terra, algo que também foi previsto pelo filme.

Em 1968, o cineasta Stanley Kubrick e o seu colega roteirista e famoso futurista Arthur C Clarke, apresentaram 2001: Uma Odisséia no Espaço, esse filme que é quase um documentário de como engenheiros e cientistas imaginavam o futuro do voo espacial, a criação da inteligência artificial e a possibilidade de contato com extraterrestres.

A famosa cena de abertura do filme mostra homens pré-históricos lutando pela sobrevivência, algo que fazemos até hoje, apesar de vermos milionários voando pelo espaço. Um monólito alienígena implanta em suas mentes a ideia de ferramentas e armas de osso, que transformam suas perspectivas. Um macaco triunfante arremessa o seu novo bastão de osso no ar e Kubrick pula, com um certo desdém, quatro milhões de anos da história humana e o osso se torna um satélite em órbita, no século XXI.

A ideia do cineasta Kubrick e do veterano de ficção científica, Arthur C. Clarke, era mostrar os astronautas, em 2001, investigando artefatos alienígenas encontrados na lua. O filme apresenta um traço filosófico distinto, algo que faltava ao gênero de ficção científica na época, e combina tudo isso com um design de produção bem realista, efeitos visuais e, lógico, uma trilha sonora instantaneamente icônica, criando um trabalho pioneiro de arte cinematográfica, sendo indicado em quatro categorias no Oscar de 1969, levando apenas o Oscar de Melhores Efeitos Especiais

2001 também inspirou as novas gerações de contadores de histórias de ficção científica, de George Lucas à Steven Spielberg, abrindo portas para grandes sucessos de bilheteria como Guerra Nas Estrelas e E.T. O Extraterrestre.

Além dos filmes que inspirou, muitas teorias sobre 2001: Uma Odisseia No Espaço debatem sobre a sua influência na criação dos gadgets tecnológicos atuais, provando que a qualidade técnica do filme inspirou muitos engenheiros, cientistas e designers. Isso, lógico, também forneceu munição para muitos advogados de patentes. Em agosto de 2011, a Samsung lançou uma defesa contra a alegação da Apple sobre violação de patente.

Você sabe quem, exatamente, inventou o computador tablet sensível ao toque?

A Apple, na época, afirmou que o seu iPad de primeira geração era um produto original. A Samsung achava que o conceito era mais geral e, portanto, não sujeito ao patenteamento. Como prova disso, a Samsung apresentou uma cena do filme 2001. Nessa cena dois astronautas estão comendo e ao mesmo tempo usando tablets pessoais. Bem parecido com o design reivindicado pela Apple, o tablet que apareceu em 2001 tem uma forma retangular, uma tela com bordas estreitas, uma superfície frontal plana e um formato fino. Ou seja, o filme de fato previu a criação de tablets como o iPad. Para saber quem ganhou essa disputa entre a Apple e Samsung, pesquise na Web.

2001 foi produzido numa época muito anterior aos computadores portáteis e a equipe de efeitos especiais de Kubrick montou projetores de filmes ocultos, para animar as telas dos dispositivos que apareciam nas cenas. Embora a jogada da Samsung tenha sido apenas um elemento, de uma complexa batalha legal com a Apple, isso ilustra que Kubrick acertou muitas coisas sobre o início do século XXI, incluindo os efeitos problemáticos da tecnologia em nossas habilidades de comunicação, algo que aconteceu recentemente com algumas Redes Sociais. À medida que nossas máquinas ficam mais inteligentes, ficamos mais burros, sugeriu ele na época, um problema que, infelizmente, podemos perceber em nosso mundo atual.

Por causa desse filme uma nova geração de empreendedores começou a criar alternativas e alteraram a maneira de trabalhar da Nasa. Para esses pioneiros tecnológicos e aeroespaciais, 2001 não é apenas uma peça de ficção famosa, mas um manifesto, um projeto em torno do qual a indústria espacial comercial pode buscar sua inspiração. Kubrick e Clarke sabiam que as corporações privadas teriam um papel tão importante quanto as agências espaciais do governo e passariam a desenvolver o nosso futuro espacial/tecnológico.

Outra tecnologia apresentada no filme foi a inteligência artificial HAL 9000, que tem uma semelhança impressionante com as assistentes de voz modernas, como Siri e Alexa. Uma prova disso é que, em homenagem ao filme, a Siri está programada para responder: “Sinto muito, não posso fazer isso”, quando pedimos para ela “abrir as portas do compartimento do pod”, mas só funciona em inglês. Os avanços ilustrados pela inteligência artificial HAL também podem ser vistos nos carros autônomos atuais, nos chatbots de atendimento ao cliente e até mesmo nos algoritmos de aprendizagem, que tornam o Amazon Warehouse possível.

HAL definitivamente moldou a ideia atual da IA como uma assistente pessoal. O fato desses aplicativos com assistente pessoal conversarem com uma voz tão tranquila e calma, provavelmente é uma consequência da visão futurista de Clarke e Kubrick em 2001.

A rebelião de HAL 9000, no filme, também toca em questões éticas mais profundas e prevê o medo atual de que a IA possa ser usada para propósitos sinistros. Mas, nesse ponto, podemos ficar tranquilos, pois a capacidade de destruição da raça humana é algo incomparável e nenhuma IA tem a capacidade de apertar o botão de lançamento de uma bomba atômica, sem que algum humano ordene essa ação.

Por enquanto, a Alexa e a Siri só estão interessadas em tocar sua música preferida e acender a luz da sua casa. Mas, tudo isso pode mudar na próxima atualização, pois todas essas IA foram criadas pelo homem e, portanto, podem compartilhar o ego e o orgulho da raça humana, em algum momento.

Artigo: Hugo Machado

Veja abaixo o trailer de 2001: Uma Odisseia No Espaço

Na Amazon você encontra vários produtos do filme 2001: Uma Odisseia No Espaço